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22 de Setembro de 2019

O papel da empresa para combater a Síndrome do Esgotamento Profissional ou Síndrome de Burnout

Ticiana Araujo, Advogado
Publicado por Ticiana Araujo
ano passado

A cobrança excessiva por mais produtividade com maior perfeição técnica é uma característica dos postos de empregos do Século XXI. O profissional que produz mais em menor tempo, sem dúvidas é melhor avaliado pela Empresa e consequentemente consegue galgar uma posição melhor na organização que labora.

Outra exigência do mercado de trabalho atual é o empregado "multifuncional", capaz de executar tarefas de 02 ou 03 empregados, diminuindo a fragmentação das atividades, bem como o número de funções dentro do quadro da empresa.

As consequências das exigências do novo modelo de mercado são jornadas ainda mais extensas, sobrecarga de trabalho e evidentemente um individuo com carga de stress elevada no ambiente de trabalho.

O stress em excesso no ambiente laborativo é capaz de gerar a síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout.

Gustavo Filipe Barbosa Garcia ensina que:

A síndrome do esgotamento profissional também conhecido como síndrome de burnout pode ser entendida como decorrente de elevada carga de stress no ambiente de trabalho, imposta ao trabalhador, levando-o a um sério quadro patológico, caracterizado, entre outros, pela perda de motivação de interesse e de expectativas, irritação, cansaço e desanimo extremos; exaustão física, psíquica e emocional" (2006, Pg. 63).

Existe uma linha tênue entre a síndrome do esgotamento profissional e a depressão, posto que os sintomas da síndrome se assemelham bastante com os sintomas da depressão.

É indispensável que os profissionais da área de medicina e saúde do trabalhador estejam atentos e preparados para diagnosticar um trabalhador com a Síndrome de Burnout, para que possa existir o suporte necessário para uma boa recuperação, bem como para cessar a causa da síndrome.

É sempre bom rememorar que as condições de trabalho impostas pelo empregador devem ser compatíveis com a condição física e psicológica de cada individuo, respeitando sempre o limite de cada empregado.

Determinado trabalhador pode suportar um nível de cobrança maior do que outro. Neste momento é que se faz imprescindível um líder ou coordenador com uma sensibilidade maior, capaz de identificar formas de cobranças diferenciadas para cada empregado e como dito acima, respeitar o limite individual.

Não é admissível que a exigência na produção seja tão excessiva ao ponto de afetar a saúde mental do empregado. Agravando ainda mais a situação, não é possível aceitar que o empregado perca o seu trabalho em decorrência de uma síndrome desenvolvida em virtude das condições oferecidas pela empresa.

Outro ponto importante a ser observado é que a depressão, causada pelo excesso de stress no ambiente de trabalho, não é facilmente caracterizada como doença ocupacional, posto que o nexo causal é de difícil comprovação, principalmente porque a depressão pode ter inúmeras causas.

Evidencia-se, portanto, que o meio ambiente de trabalho inadequado é capaz de ocasionar problemas muitas vezes imperceptíveis em um primeiro momento, que podem evoluir para síndrome do esgotamento profissional e depressão.

Neste diapasão, ao revés de outras doenças que são mais facilmente diagnosticadas, é possível que o empregado tenha um diagnostico tardio, o que não é recomendado em virtude da gravidade da doença, que pode ocasionar consequências irreparáveis como o suicídio.

É necessário que as Empresas se conscientizem que a cobrança excessiva, com imposição de metas inatingíveis e carga horária exaustiva é prejudicial não apenas ao empregado, mas a própria organização empresarial.

Um empregado motivado, com condições de trabalho dignas e saudáveis é capaz de gerar um excelente retorno para empresa. Talvez, seja o momento de se repensar a forma de estruturação das empresas e os mecanismos de cobranças, para que todos sintam-se felizes naquele local e consequentemente executem as atividades com mais prazer e motivação, tornando-se um ciclo natural.

2 Comentários

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Ótimo texto. Muitas empresas não se preocupam em manter um ambiente de trabalho saudável para o funcionário. Exigem produtividade, porém, muitas vezes impõem as piores condições de trabalho ao empregado, que sobretudo, fica sobrecarregado. A verdade é que o modelo padrão de trabalho, adotado pela maioria das empresas no Brasil, possuem uma visão equivocada sobre o que é produtividade. continuar lendo

Ótimo texto, @ticianaaraujo !

A saúde mental e o bem-estar dos empregados necessariamente deve estar entre as principais preocupações de empresas, especialmente daquelas que atuam em ambientes altamente competitivos.

Síndrome do Impostor, Síndrome do Burnout e outras várias doenças mentais são cada vez mais frequentes e isso é um problema geracional que, se não for bem endereçado, afeta todas as esferas da vida das pessoas acometidas de tais doenças - sendo cansaço e falta de produtividade apenas os efeitos menos preocupantes delas. continuar lendo